Comecei a ler o livro O Filósofo Autodidata de Ibn Tufayl escrito no século XII. Já no Preâmbulo o autor nos surpreende com uma frase simples mas profunda: “Aquele que quer a verdade sem véus deve procurar esses segredos por conta própria e fazer todos os esforços para obtê-los.”

A frase começa a falar de uma verdade sem véus, o que significa, que há verdades com véus, verdades que são encobertas, disfarçadas. E que essa verdade sem véus é um segredo, algo que se deve descobrir, desvendar.

Isso faz bastante sentido na antiguidade quando os ensinamentos sobre os “mistérios do mundo” eram secretos, e sacerdotes e sábios guardavam a sete chaves, revelando-os apenas  aos iniciados oralmente. Nada era escrito para não ser revelado a pessoas que não estavam preparadas ou poderiam fazer mau uso desses segredos. Isso aconteceu no Egito com os faraós, na Índia com os hindus, no Oriente Médio com os judeus, na Europa com os celtas, na América com os maias, astecas, incas e com vários outros povos no mundo todo. Aos poucos esses segredos foram sendo revelados e divulgados através de profetas, sábios e estudiosos e transcritos em papiros e livros como os vedas, a Cabala, o Livro dos Mortos e a Bíblia. Mais recentemente veio a terra Jesus revelando verdades baseadas no amor e no século XIX as mensagens dos espíritos superiores transcritas por Allan Kardec.

O escritor continua com o termo “por conta própria” que remete a uma jornada individual, rechaçando aceitar sem questionamentos os dogmas das religiões, seitas e doutrinas. É muito fácil aceitar cegamente ideias de outros e segui-las sem questionamentos como verdades absolutas. Fagulhas de verdade não poderia estar espalhada em todas elas?

É por isso que o autor diz que temos que fazer todos os esforços, porque a verdade além de muitas vezes estar encoberta por um véu, pode estar em vários lugares. O grande esforço está em desenvolver um pensamento próprio, depois dessa busca. Não se deixar levar facilmente pelas ideais alheias e pelas influências de Espiíritos (eles nos influenciam mais do que imaginamos).

Isso faz lembrar a máxima dos filósofos gregos “Conhece a ti mesmo” que depois foi lembrada por Santo Agostinho no Livro dos Espíritos como o meio de conhecer os segredos não só pessoais como da vida. A busca da verdade se faz com muito esforço, tanto na procura do conhecimento como no seu desenvolvimento interno.

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