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O filósofo grego Platão viveu uma época esplendorosa na Grécia no século três antes de Cristo. Uma época de expansão do pensamento e da consciência. Quando os homens filosofavam nos quintais e tentavam desenvolver uma sociedade baseada na justiça e na beleza. Parece até ficção se depararmos com a degradação moral que se seguiu com o império romano  e as atrocidades da idade média.

Um dos textos mais famosos de Platão é o Mito da Caverna, que resumidamente fala sobre prisioneiros, presos desde seu nascimento, que vivem acorrentados numa caverna e que passam todo tempo olhando para a parede dos fundos onde são refletidas as sombras de quem passa em um caminho entre eles e a entrada dada caverna. Sombras de animais e de pessoas carregando coisas. Para os prisioneiros aquelas sombras são tudo que existe no mundo.

Em um certo momento, um dos prisioneiros consegue libertar-se das correntes e foge da caverna. Demora longo tempo para adaptar seus olhos e de repente começa a ter contato com o mundo exterior. Percebe que passou a vida toda vendo e analisando apenas imagens projetadas e que esse era o mundo real, com os seres de verdade, com cores e cheiros. Volta para a caverna para contar o que descobriu a seus colegas. No entanto, é ridicularizado ao relatar sua experiência, seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede da caverna. Os prisioneiros o chamam de louco, ameaçando-o de morte caso não pare de falar daquelas ideias consideradas absurdas.

Muitas vezes penso que vivemos como os prisioneiros de Platão, apenas vendo sombras da realidade, apenas vendo o que o senso comum percebe, aquilo que querem que vejamos. Apenas vendo as necessidades primitivas, a saciedade dos instintos e o desejo imposto do consumismo. Sair da caverna, “sair da casinha” ver o mundo de outra forma não interessa aos donos do poder. Vivemos em um mundo superficial. Vivemos como prisioneiros acorrentados e só vemos o que nos mostram.

E o sistema é experiente em taxar de louco, visionário, charlatão, aquelas pessoas que se libertam das correntes e fogem para fora da caverna. Libertam-se e começam a ver a realidade, a entender o mundo e suas leis, a grandiosidade da vida, as engrenagens sobre-humanas do macrocosmo e do microcosmos. Harmonizam-se com as leis naturais, percebendo sua força, a que o homem está longe de dominar. E começam a perceber seu semelhante não como inimigo ou concorrente mas um ser na mesma luta evolutiva.

Não podemos ter medo de libertarmos das correntes da mesmice, das garras da ignorância, da moda do consumismo. Procuremos ver a realidade como ela é, aprofundando-nos no conhecimento e nos sentimentos. Não sigamos pela superfície das coisas, pelas imagens projetadas que nos fazem acreditar que é a vida. Que tal voltarmos a filosofar nos quintais e pensarmos na vida como ela é? E mesmo que nos chamem de louco, saberemos, lá no íntimo, que louco são os outros.

Muitas religiões e filosofias acreditam que a nossa vida na terra é de expiação e provas para pagarmos dívidas de outras vidas e tentarmos evoluir. Não há como negar que todos têm problemas para resolver, alguns bem graves outros mais amenos. Mas todos, em alguns momentos da vida, se deparam com sofrimento e angústia. E nos perguntamos “Por que isso acontece comigo? Por que tenho que passar por isso?”
O fato de estarmos acertando contas de outras vidas, responde em parte nossas aflições, mas não resolve o problema. Com certeza as provas e expiações que aparecem em nosso dia a dia também estão ligadas ao nosso jeito de pensar e de agir. Assim, como não temos noção de nossas faltas em outras vidas, resta-nos analisar o que estamos fazendo de errado nessa.
A primeira coisa que temos que ter consciência é que ninguém é perfeito, todos têm defeitos, distorção da realidade, manias. E com certeza, nas relações entre as pessoas, essas questões provocarão problemas, desavenças, brigas. De posse desse conhecimento, a primeira ação a tomar é entendermos o outro, perceber suas dores e perdoar.
E quanto à nossas ações? Primeiro é preciso pensar, analisar. Mas deve-se ter um equilíbrio da atenção que dispendemos para isso. É importante raciocinar e clarear em mente todas as variáveis envolvidas. Mas deve-se ter cuidado em não ser absorvido por esses pensamentos ao ponto de tornarem-se uma obsessão, que não levará a nada, ao contrário, piorará ainda mais o nosso estado de espírito.
É importante nesses casos, que tenhamos momentos relaxantes, meditativos, silenciosos em contato com a natureza. Praticar um esporte ou atividade física também é uma ótima opção. Nossa mente precisa desses momentos “vazios” para que as inspirações (insights) possam ter condições de chegar até nós. Com uma mente turbulenta é mais difícil de acontecer isso. Além disso, temos que ter a consciência de que sempre haverá problemas, mas eles passarão. Tudo passa!
Resumindo, se tivermos a consciência que os problemas sempre existirão, tenhamos calma de raciocinar sobre eles e relaxemos um pouco. Busquemos fazer o que é certo e ético para nós. Todos erraram, inclusive nós e no final tudo passa.