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Recentemente li um artigo que falava sobre o fim das agências de propagandas, que essas estariam se transformando e sendo absorvidas pelas consultorias de marketing. É verdade que existe um movimento apontando para isso e as razões são muitas. Mas há de se colocar a força criativa de uma agência, essencial para despertar a atenção, principalmente na realidade que vivemos de tantos impactos visuais.

Já faz algum tempo que o modelo de trabalho tradicional de uma agência vem se tornando obsoleto. Começando pelo Atendimento, que era a principal interface entre a agência e o cliente, deixando a comunicação pobre e muitas vezes truncada. Já as consultorias oferecem uma metodologia de trabalho diferenciada com o envolvimento de uma equipe multidisciplinar no dia a dia. E isso faz toda a diferença em uma realidade que valoriza não só a criação e produção, mas a estratégia, os dados, os retornos, as vendas… em um cenário sistêmico e conectividade veloz.

Outro mecanismo arcaico das agências é o trabalho por comissões. Essa forma de remuneração que por algum tempo reinou em muitas agências tinha algo perverso, pois servia a dois senhores, ao cliente e aos meios de comunicação. A agência por um lado trabalhava para o anunciante, mas por outro se passava de vendedor de mídia e quanto mais mídia vendia mais ganhava…. Isso sem falar nas comissões de produção que eram muitas vezes camufladas para o cliente não saber. Além de aumentar o valor em muito através da bitributação gerava uma relação de desconfiança, nada saudável, e incompatível com a ideia atual de transparência nos negócios e combate de todos os traços da corrupção.

Com o aumento das informações sobre as ações e reações dos consumidores, tem-se atualmente uma infindável gama de dados que norteiam as ações das empresas. O que antigamente se decidia com base em poucas informações de audiência e circulação, hoje são colocados para análise diversos dados, muitas vezes real time, indicando o comportamento dos consumidores em relação a inúmeros estímulos. São através de análises desses dados que são desenvolvidas as campanhas publicitárias e não mais em insights de diretores de arte e donos de agências. Paradoxalmente nunca as campanhas tiveram que ser tão criativas e seus criadores tão inspirados… com a tempestade ininterrupta dos anúncios em todos os locais, a diferenciação através da criatividade é o único meio de ser percebida e reconhecida.

Assim se por um lado as agências perderam espaço para as consultorias de marketing, que trabalham de forma estratégica com dados e informações, por outro, os criativos das agências nunca foram tão importantes. É nesse sentido que muitas agências se transformam ou foram adquiridas por consultorias de marketing. Da mesma forma, agências também podem ter seus departamentos de marketing… de qualquer forma, as novas empresas da área terão que atuar de forma mais global integrada com foco nas informações e na criação.