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Porque vivemos? Essa é uma das questões mais enigmáticas e profundas da humanidade. Questionada desde que o homem tomou consciência de sua vida a milhares de anos atrás. Todos possuem uma resposta, por mais nebulosa ou confusa que ela seja em nossa mente. Porque essa resposta é a “visão” da vida, é como se encara a existência. A Visão da vida influencia todas as nossas ações e reações. Influencia os pensamentos, as relações com o outro, o trabalho, enfim, tudo na vida.

A visão da vida é muito distinta de pessoa para pessoa. Leva em conta seus valores, suas crenças, seu grau evolutivo. Se perguntarmos para uma pessoa “porque ela vive? ” e ela responder que é para ter sucesso profissional, ganhar muito dinheiro, sustentar a família e depois quando tudo acaba com a morte, deixar muitos bens para os filhos; a visão da vida será muito diferente de uma pessoa que se responder que viver é ajudar a construir um mundo melhor, auxiliando os outros e a família, em busca da evolução espiritual junto a Deus.

A visão de vida de uma e de outra é completamente diferente e suas ações e decisões diárias também serão. De um lado temos uma pessoa materialista, que não acredita em Deus e acha que tudo acaba depois da morte. O motivo de sua vida é crescer materialmente e proporcionar isso a sua família. Por outro lado, temos uma pessoa voltada para o espiritual, que percebe e sente as dores do ser humano.

Em toda a nossa história o homem tentou responder essa pergunta utilizando-se da religião, da ciência e da filosofia. No entanto, essas áreas sempre caminharam muito distantes uma das outras, fazendo que as pessoas tivessem que escolher e tomar partido de apenas uma delas. Ou você era cientista, ou religioso ou humanista. Ou era materialista ou espiritualista.

Felizmente atualmente com o avanço da ciência começa-se a provar há vida após a morte, e que por consequência, que existe algo além do corpo; que existe uma inteligência eternas e imutáveis no universo, chamada de Deus. Por outro lado, as religiões começam a desarmar seus domas de dominação, transformando o amor ao próximo seu objetivo maior. E a filosofia une de forma holística todos esses conhecimentos.

Hoje ciência e espiritualidade caminham juntas na medicina, física, psicologia e outras áreas. Estamos chegando em um momento de união, podemos acreditar em Deus e na ciência. O Homem pode ser espiritual e utilizar-se do material para seu melhoramento e conforto.

Todo mundo um dia pensa em mudar de área de atuação, de emprego, de empresa. E não é somente uma vez na vida, para algumas pessoas são várias vezes, dezenas de vezes. O que é muito natural e saudável. Querer mudar para melhorar, para ganhar mais, para realizar sonhos é maravilhoso. Até porque não existe nenhum lugar ou empresa perfeitos. Simplesmente não existe. E todos, sejam empregados, colaboradores, chefes e diretores, um dia vão querer mudar suas vidas.

Mudar é maravilhoso, viver novas experiências, conhecer novas pessoas, buscar concretizar uma ideia. Existem muitas histórias de sucesso profissional a partir de mudanças, algumas radicais. Mas existem também histórias de decepção e fracasso. Como avaliar se a mudança será positiva ou não?

Há vários métodos, mas gosto de utilizar um bem simples: analisar a situação em duas áreas, a emocional e a racional.

Na emocional temos que levar em conta nossa personalidade, se mais cômoda ou se mais proativa, mais conservadora ou mais revolucionária. Posteriormente responda a pergunta: estou feliz com que estou fazendo? Gostaria de fazer outra coisa? Não esqueça de levar em consideração que achamos as coisas dos outros sempre melhores, o trabalho do outro melhor, a vida do outro melhor. Existe uma espécie de vitimização interna.

Mas uma coisa é certa, em todas as empresas teremos problemas, em todo o trabalho dificuldades, em todo o casamento discussão. Temos que ter claro que muitas vezes só trocamos de endereço. Agora, se estamos realmente insatisfeitos como nosso trabalho, temos uma busca pessoal que segue por outro caminho, aí temos que pensar na mudança.

Sugiro escrever tudo no papel quando a crise aparecer e fazer uma avaliação interna, com seu EU. Reparta o papel em dois, pontos emocionais e racionais. E divida esses dois pontos em positivo e negativo. Vá analisando, escrevendo, você verá que no final chegará em uma conclusão acertada.

E o lado racional? Esse me parece mais fácil de ser analisado, por que lidamos com informações e dados. Faça uma avaliação do mercado profissional que você atua, ou que quer atuar, há oportunidades? E você como profissional é competitivo nesse mercado? Está qualificado? No lado racional temos que analisar nossa situação financeira, as vantagens e desvantagens do ganho mensal que está tendo e que poderá ter.

Essa não é uma análise para se fazer em um dia, precisa-se de pesquisa e principalmente de uma conversa com seu próprio EU. Claro, não esqueça de incluir a sua família, ela é parte essencial na sua vida e deve ser incluída em seu planejamento. Uma dica: não tenha pressa, analise, pesquise, fale com os amigos, com profissionais, tente visualizar os cenários.

Quando pensamos em alvos e metas temos que considerar que existe um caminho, uma jornada para chegar a eles. Gosto de comprar essa busca a uma viagem. Com um destino definido, mas com um percurso a percorrer até chegar.

Digamos que nossa viagem seja para a Itália e nossa meta conhecer Veneza, seus inúmeros canais, andar de gôndola e saborear as iguarias venezianas a beira do rio. Para se chegar a esse objetivo teremos que percorrer um longo caminho. A viagem de cada pessoa começa a diferenciar-se nesse percurso. Alguns preferirão contratar uma operadora de turismo que organizará tudo, não terão preocupações, praticamente fecharão os olhos e acordarão em Veneza. Outros farão esse percurso descobrindo por si mesmo o caminho, passando trabalho, conhecendo pessoas e locais novos. No final, todos chegarão a Veneza, uns antes outros depois, uns com suas bagagens intactas, iguais de quando partiram, outros com uma bagagem cheia de experiências novas, conhecimentos e histórias para contar.

Assim é a vida. Quando traçamos metas e alvos para serem alcançados temos inúmeros caminhos para escolher. Essa jornada é definida por nós, muitas vezes os caminhos mais curtos não trazem os resultados esperados. Muitas vezes os caminhos mais longos são mais educativos e apesar de demorarem mais para alcançar o alvo, são mais produtivos e compensadores. Tão importante quanto chegar ao alvo é a jornada até ele. Temos que ter em mente nosso alvo e vivenciarmos por completo a jornada até ele, aproveitando as oportunidades, sem ansiedade, mas sem procrastinação.

Quando fui para o Peru com um amigo historiador nosso objetivo era conhecer Machu Picchu. Poderíamos ter pego um avião até Lima, outro até Cuzco e um trem até a cidade sagrada dos Incas. Mas resolvemos fazer uma jornada diferente: percorrer de ônibus e trem toda a extensão entre Rio de Janeiro e Cuzco, visitando inúmeras localidades nos andes. A viagem que poderia ter durado algumas horas até Cuzco durou uma semana. Poderia-se pensar que foi uma perda de tempo, mas a experiência adquiria foi riquíssima e com resultados surpreendentes ao final.

Chegando em Cuzco, poderíamos ter pego um trem direto para Machu Picchu, mas a jornada até lá nos deixou tão aberto a novas experiências que por “um acaso” encontramos um mapa antigo em um sebo de Cuzco. O mapa descrevia uma rota desconhecida para Machu Picchu usada por soldados incas. Isso brilhou nossos olhos, ficamos entusiasmados, mas analisando o mapa percebemos que existiam passagens difíceis a cinco mil metros de altitude e que a trilha era bastante deserta. Decidimos nos preparar. E uma nova jornada teve início para chegarmos ao nosso objetivo: agora percorreríamos trilhas incas menores no Vale Sagrado, até nos sentirmos preparado.

Depois de dez dias nos preparando, resolvemos partir em direção a trilha desconhecida para a cidade sagrada dos incas no meio de vales e montanhas imensas. Uma jornada incrível de seis dias no meio da natureza que testou nossos limites e nos aprofundou no autoconhecimento. A chegada em Machu Picchu ao amanhecer sem nenhum visitante foi emocionante. Com certeza bem diferente da chegada que poderíamos ter feito de trem e que duraria apenas algumas horas. A jornada tinha nos modificado, tínhamos aprendido muitas coisas. E não ficou por aí, essa jornada transformou-se em reportagens de revistas e posteriormente em livro. No final, a jornada tornou-se mais importante que o próprio destino; e a meta que era conhecer um local tornou-se a realização de publicar um livro.

A jornada é tão importante quanto as metas. É essencial termos metas, alvos a serem alcançados, mas a jornada para alcança-los é igualmente essencial. Foco nas metas é importante. Precisamos disso para seguir com força e entusiasmo. Mas não podemos fechar nossos olhos na jornada. Temos que estar com os olhos abertos para as oportunidades que surgem no caminho. Temos que estar com a mente aberta, observando a realidade como ela é.

Não podemos esperar que sejamos felizes apenas quando alcançarmos nosso alvo. Não podemos pensar que enquanto não alcançarmos as metas teremos que sofrer e passar por necessidades. A jornada apesar de poder ser dura e algumas vezes até penosa, tem que nos satisfazer. Tenhamos em mente que aprendemos muito durante a jornada, em suas provas e desafios.  Gandhi dizia “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o próprio caminho”.

É muito comum reclamar dos outros. É muito comum ouvirmos alguém reclamar de outra pessoa. É muito comum nós reclamarmos de outra pessoa. Apontar os erros e defeitos dos outros é algo muito comum e usual no trabalho, em casa, nas redes sociais, nas conversas entre amigos.

Fazemos isso por que certas atitudes nos tocaram de alguma forma, nos fazem sofrer, nos deixam angustiados, diminuídos, ansiosos, inseguros… De alguma forma essas atitudes nos tocaram e nossa mente logo começa a analisar e criar pensamentos. Vem aquela vontade de falar, de transferir esses pensamentos, de desabafar, de reclamar do outro.

Psicologicamente dizem que o desabafo é necessário para manter o equilíbrio mental. Mas quando falamos mal de alguém, estramos prolongando uma ideia negativa em quem ouve. E esse desabafo, essa reclamação pode aliviar a sua mente momentaneamente, mas não irá apagar o sentimento de seus pensamentos.

Quando começamos a reclamar dos outros, a apontar seus defeitos, seus erros, suas faltas conosco entramos em uma vibração que nada contribui para resolver o problema. Entramos em um círculo de pensamentos que não nos leva a lugar algum. Nos deixamos dominar por emoções, ideias e opiniões originadas e criadas por nossos pensamentos. Criadas pelo nosso modo de ver o mundo, da nossa perspectiva de ver as atitudes dos outros.

Que tal nesse momento imaginarmos como esse outro nos vê. O que esse outro acha de nós, que erros e defeitos ele percebe em nós.

Ou melhor ainda, que tal percebermos quais são as nossas falhas, quais são nossos defeitos.

Vamos perceber, que temos muitos problemas, que temos muitos defeitos, que praticamos muitos erros. Que muito mais digno é tentarmos corrigir nossos erros e defeitos do que apontar os dos outros.

Então quando estamos muito chateados com alguém, naquele círculo vicioso de pensamentos críticos, analisando e apontando seus erros; o melhor a fazer é procurar o refúgio de nossa consciência.

Tomando consciência que aquilo são julgamentos pessoais, criados pelo nosso pensamento e originados apenas de um ponto de vista: o nosso.

Vamos tomar consciência que nós também possuímos muitos defeitos e cometemos muitos erros. Que mais importante que apontar os erros dos outros seria consertar os nossos.

E nisso mergulhamos em nosso íntimo.  Tomamos consciência de nosso ser, de nossa vida, de nosso momento presente. Essa consciência liberta, pelo menos por algum momento dos elementos tóxicos de nosso pensamento, emoção e sofrimento. Nos trazendo momentos de paz, tranquilidade e serenidade, junto com a vontade de mudança interior.

Isso é transmutar!!!!

Se traduzirmos para o português, LifeStyle Design significa Projeto de Estilo de vida. Ou seja, você planejar como gostaria de viver, com que estilo. Isso vem bem de encontro à realidade de hoje em dia, que mudou completamente em relação ao passado. Antigamente, a pessoa entrava em uma empresa para passar a vida toda dentro dela, subir de postos lá dentro e sonhar com a aposentadoria, quando poderia realmente aproveitar a vida… Antigamente, fazer uma faculdade era sinônimo de garantia de futuro. Hoje nada disso funciona. Cursar uma faculdade é excelente, mas não garante nada, fazer uma carreira dentro de uma única empresa, quase impossível…

Hoje as pessoas são muito mais empreendedoras, possuem vários trabalhos, fazem diversas atividades. Muitos não tem horário fixo, trabalham em casa ou ainda são nômades digitais, trabalham no computador viajando pelo mundo. Ou seja, aquela estabilidade de um emprego para o resto da vida, está sumindo… Com exceção do funcionalismo público.

E é nesse cenário que o LifeStyle Design começa a ser importante para as pessoas. Porque essa insegurança pode trazer vários sintomas emocionais como ansiedade, medo, depressão e outros. Quando você planeja a sua vida, cria objetivos e metas, a jornada torna-se mais clara e faz mais sentido.

O LifeStyle Design não é apenas imaginar o que se quer fazer, sonhar como gostaria de viver. Quando falamos em Design estamos falando de um plano para resolver um problema, utilizando-se de estratégias e ferramentas para alcançar os objetivos. Então no LifeStyle Design definimos

a ideia de como gostaríamos que fosse nosso estilo de vida, com que gostaríamos de trabalhar, como gostaríamos de fazer isso, em que local e fazemos um planejamento estratégico para isso utilizando-se de ferramentas mercadológicas para alcançar o objetivo desejado.

No final do ano e início do ano, essa é uma das frases mais ouvidas e faladas. Mas já paramos para pensar o que é ser feliz? O que é felicidade? Sobre o assunto há muitas opiniões tanto entre sábios e cientistas como entre surfistas, empresários e donas de casa.

Para uns a felicidade é ficar viajando ao redor do mundo pegando as melhores ondas, para outros é conquistar riquezas e poder, para outros estar reunido em casa com a família, fazer a descoberta do século ou desenvolver uma teoria. Há também quem não acredite que exista a felicidade. É difícil acreditar nela quando estamos sofrendo, quando tudo vai de mal a pior, quando perdemos o emprego, nos separamos ou algum familiar próximo falece.

Começamos a perceber que a felicidade é algo individual, que depende do pensamento de cada um. Para um surfista pode ser chato ficar em casa com seus pais, assim como para a dona de casa pode se aborrecer  em uma praia paradisíaca em frente a ondas perfeitas. Sim, a felicidade está dentro de nós e depende pouco do exterior. Nas frequentes pesquisas que fazem sobre os melhores países para viver, os que tem mais qualidade de vida, melhor saúde pública, segurança, menos corrupção etc., aparece sempre nas primeiras posições os países nórdicos europeus e os da América do Norte. No entanto, quando se faz pesquisas questionando onde as pessoas são mais felizes, o resultado são os países africanos e latinos. Definitivamente, o meio ambiente onde estamos inseridos não é o que proporciona felicidade.

Tenho alguns amigos que sonham em sair do Brasil, dizendo que é impossível ser feliz aqui… Pura ilusão. Podemos ser felizes em qualquer lugar, depende unicamente de nosso estado de espírito. Tenho uma amiga, que estava muito triste no Rio de janeiro, “cidade maravilhosa”, estava desgostosa do seu trabalho, de seu marido, dos amigos, da vida. Separou-se e veio morar em Florianópolis, a capital com maior qualidade de vida no Brasil. Alugou uma casa ensolarada e ventilada perto da praia, arranjou um trabalho perto da casa que possibilitava ir caminhando e retornar para almoçar. Conheceu novas pessoas, fez novos amigos. Ela ficou feliz? Não, porque a felicidade é um estado de espírito.. Não depende do local que se está. O local ajuda? Ajuda, mas não é determinante.

Muitos filósofos definiram a felicidade através dos tempos como “O bem-estar social, ético e espiritual. Interessante essa definição por abranger muitos aspectos da existência humana. A esfera social se refere às relações entre as pessoas, entre elas e a sociedade. Trata da forma que vivemos na sociedade, como nos inserimos nela, profissionalmente, comunitariamente.

No livro Sapiens, o autor Yuva  Harari escreve que nas últimas décadas, psicólogos e biólogos estudaram cientificamente o que de fato faz as pessoas felizes: uma boa situação financeira e ter as necessidades supridas é um dos fatores. Mas isso até certo ponto, o excesso já o torna algo banal. A família e a comunidade são mais importantes do que dinheiro e saúde. Um inválido sem recursos cercado por uma esposa amorosa, uma família dedicada e uma comunidade afetuosa, sente-se melhor do que um bilionário alienado, solitário, sem família ou vínculos emocionais. A pesquisa concluiu que estar satisfeito com o que você já tem, é muito mais importante do que obter mais daquilo que deseja.

Nesse rumo, é importante tirarmos definitivamente o mito que foi criado após a Revolução industrial de que o materialismo e o consumismo poderiam trazer felicidade. O consumismo foi um belo trabalho de marketing para desovar os produtos que começaram a ser produzidos em quantidades cada vez maiores. Inicialmente foram sendo saciadas as necessidades básicas das pessoas, mas como fazer depois que a maioria já tinha com facilidade alimentos, roupas e moradia? Iniciou-se um trabalho enorme de valorização das coisas materiais e do consumo desenfreado. E para completar a ideia que as coisas materiais, o consumo, o sair as compras, o ter, traria felicidade.

Dinheiro, status, cirurgia plástica, casas bonitas, posições de poder. Nada disso trará felicidade. A felicidade depende do íntimo de cada um. Um sertanejo pode sentir mais felicidade ao concluir sua casa de pau a pique no sertão nordestino, sem nada de conforto do que um banqueiro ao quitar sua cobertura tríplex no bairro pinheiros em São Paulo com todos os aparatos tecnológicos e de conforto possíveis. Um pescador ribeirinho pode ficar muito mais feliz ao pegar um enorme peixe para alimentar sua família do que um milionário em ganhar 1 milhão. Um budista pode ficar muito mais feliz vendo o desabrochar de uma flor de lótus do que um empresário fazer uma viagem suntuosa à Europa.

É bom deixar claro que aqui não estamos criticando as coisas materiais que suprem as necessidades básicas. Nem exaltando a utopia de se viver sem dinheiro. Estamos em um mundo material e necessitamos de dinheiro para pagar as contas no final do mês. É importante ressaltar também que foi graças aos avanços industriais, científicos e tecnológicos que ampliou-se as possibilidades profissionais proporcionando um grande progresso à humanidade. Hoje temos condições de progredir profissionalmente independente das condições em que nascemos e não precisamos plantar ou caçar para alimentarmos, basta ir no supermercado.  A Humanidade progrediu… há 200 anos 80% das pessoas viviam na miséria, hoje com uma população sete vezes maior, apenas 20% da humanidade está na miséria.

O progresso material saciou nossas necessidades mas criou enfermidades graves como o consumismo e o materialismo. Hoje, a ânsia pela riqueza domina a consciência de muitos que cedo ou tarde terão decepções ao não encontrarem felicidade nisso. Temos que diminuir as necessidades impostas pelo mercado. Viver na simplicidade, sem abusos. Como diz Léon Denis em seu livro Depois da Morte: “Ter poucas necessidades é uma forma de riqueza. ”

 

Ética

A ética se refere aos nossos princípios, valores, moral. Se refere ao sentido e finalidade que damos à vida humana, nossa avaliação do bem e do mal.  Essa área também exerce grande influência na felicidade, pois aqui tratamos dos pensamentos e sentimentos.  São eles que regem nossas emoções, determinam nossa visão de tudo que acontece ao redor, no mundo exterior. É pelos pensamentos que vamos avaliar se uma situação nos traz alegrias ou sofrimentos. Se analisarmos a  mesma situação pode trazer tristeza para uns e alegria para outros, ou ainda nos deixar triste em um primeiro momento e logo depois alegres. Porque nossos pensamentos avaliam como vemos o mundo, as situações.

Para Léon Denis é nessa área que consiste a verdadeira grandeza do Espiritismo, já que transmite aos homens as leis divinas e naturais que contem a correta conduta moral.  A posse e a compreensão dessa moral é o que há de mais necessário e de mais precioso para a alma e consequentemente para a felicidade. É através da transformação moral, que os ensinos superiores nos fornecem, que podemos alcançar a felicidade.

Quando nos é revelado que a morte não existe, que a vida continua, nosso pensamento sobre a vida começa a mudar. Quando percebemos que o sofrimento são provas que temos que passar para a nossa evolução, nossa visão do mundo começa a mudar. Quando percebemos que o amor pode solucionar qualquer problema, a realidade toda munda.

As revelações dos Espíritos que chegam até nós, realmente mudam nossos pensamentos, nossa ética, nossa moral, nosso modo de ver o mundo. Esse novo modo de ver o mundo nos faz buscar a felicidade em virtudes muito mais perenes e elevadas.

Espiritual

Trata de nosso Espírito, núcleo de nosso ser, que não se destrói com a morte do corpo, que permanece viva, reencarnando em busca da evolução. O espiritual são os assuntos que vão além do material que tratam da relação com Deus. Léon Denis nos fala para desenvolver a vida espiritual, que nos fará entrar em relação com o mundo invisível com a natureza inteira. Consiste nisso a fonte do verdadeiro poder; que vai aumentando com o desprendimento das coisas terrestres.

Temos que ter consciência que a vida terrestre é uma passagem apenas e por sinal, muito rápida. León Denis nos diz que a vida é uma escola, um meio de educação e de aperfeiçoamento pelo trabalho, pelo estudo e pelo sofrimento. Não há nem felicidades e nem mal eternos. A recompensa e o castigo consistem na extensão ou no encurtamento das nossas faculdades, de nosso campo de percepção, resultante do bom ou mal-uso que houvermos feito de nosso livre-arbítrio, e das aspirações e tendências que houvermos em nós desenvolvido. Livre e responsável, a alma traz em si a lei de seus destinos; prepara, no presente, as alegrias ou as dores do futuro. A vida atual é a consequência, a herança de nossas vidas precedentes e a condição das que lhe devem seguir.

Assim podemos concluir que a felicidade depende exclusivamente de nós, de nossos atos, de como agimos e de como pensamos. De como vemos o mundo, de como encaramos as situações. A “felicidade” ultrapassa nossa pequena existência presente aqui na terra, possui uma abrangência maior, eterna. Para buscar a verdadeira felicidade não podemos ter uma visão míope que percebe somente o aqui e o agora, mas ampliarmos nossa consciência para o passado, o presente e o futuro. Tudo está interligado, nossas vidas passadas estão ligadas à nossa atual que está ligada à nossa futura. O que fizemos no passado influencia no presente e o que fizemos agora influencia no futuro. Tudo está interligado, tudo está dentro da lei de causas e efeito. Temos que nos convencer que essa vida é um meio de depuração e progresso que não está isolada de outras existências.

Que tal começarmos agora essa busca pela felicidade e termos um Feliz ano novo?

 

 

O filósofo grego Platão viveu uma época esplendorosa na Grécia no século três antes de Cristo. Uma época de expansão do pensamento e da consciência. Quando os homens filosofavam nos quintais e tentavam desenvolver uma sociedade baseada na justiça e na beleza. Parece até ficção se depararmos com a degradação moral que se seguiu com o império romano  e as atrocidades da idade média.

Um dos textos mais famosos de Platão é o Mito da Caverna, que resumidamente fala sobre prisioneiros, presos desde seu nascimento, que vivem acorrentados numa caverna e que passam todo tempo olhando para a parede dos fundos onde são refletidas as sombras de quem passa em um caminho entre eles e a entrada dada caverna. Sombras de animais e de pessoas carregando coisas. Para os prisioneiros aquelas sombras são tudo que existe no mundo.

Em um certo momento, um dos prisioneiros consegue libertar-se das correntes e foge da caverna. Demora longo tempo para adaptar seus olhos e de repente começa a ter contato com o mundo exterior. Percebe que passou a vida toda vendo e analisando apenas imagens projetadas e que esse era o mundo real, com os seres de verdade, com cores e cheiros. Volta para a caverna para contar o que descobriu a seus colegas. No entanto, é ridicularizado ao relatar sua experiência, seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede da caverna. Os prisioneiros o chamam de louco, ameaçando-o de morte caso não pare de falar daquelas ideias consideradas absurdas.

Muitas vezes penso que vivemos como os prisioneiros de Platão, apenas vendo sombras da realidade, apenas vendo o que o senso comum percebe, aquilo que querem que vejamos. Apenas vendo as necessidades primitivas, a saciedade dos instintos e o desejo imposto do consumismo. Sair da caverna, “sair da casinha” ver o mundo de outra forma não interessa aos donos do poder. Vivemos em um mundo superficial. Vivemos como prisioneiros acorrentados e só vemos o que nos mostram.

E o sistema é experiente em taxar de louco, visionário, charlatão, aquelas pessoas que se libertam das correntes e fogem para fora da caverna. Libertam-se e começam a ver a realidade, a entender o mundo e suas leis, a grandiosidade da vida, as engrenagens sobre-humanas do macrocosmo e do microcosmos. Harmonizam-se com as leis naturais, percebendo sua força, a que o homem está longe de dominar. E começam a perceber seu semelhante não como inimigo ou concorrente mas um ser na mesma luta evolutiva.

Não podemos ter medo de libertarmos das correntes da mesmice, das garras da ignorância, da moda do consumismo. Procuremos ver a realidade como ela é, aprofundando-nos no conhecimento e nos sentimentos. Não sigamos pela superfície das coisas, pelas imagens projetadas que nos fazem acreditar que é a vida. Que tal voltarmos a filosofar nos quintais e pensarmos na vida como ela é? E mesmo que nos chamem de louco, saberemos, lá no íntimo, que louco são os outros.

Em nossa vida nos deparamos constantemente com essa frase dita por amigos e familiares sempre que alguma infelicidade nos acontece. Junto a ela, um exemplo de como poderia ter sido pior, caso acontecesse outro infortúnio. Ou a consolação pode vir acompanhada por uma comparação de algum caso que tenha acontecido com alguém conhecido, ou simplesmente que se ouviu falar ou leu-se em algum lugar. Dessa forma o ser humano se consola, se resigna pela comparação de algo que aconteceu com outros de sua espécie ou que simplesmente poderia ser pior.

Assim, quando uma filha cai da bicicleta e quebra o braço, seus pais ouvirão “podia ser pior, podia ter caído e batido com a cabeça.” Ou quando seu filho começa a não estar mais presente em casa por causa de uma paixão avassaladora, podemos ouvir “podia ser pior, ele poderia estar fora de casa por causa das drogas”. Ou quando sua esposa se envolve em um acidente de carro, destrói toda a frente daquele carro novo, você escutará “podia ser pior, não houve machucados”. Ou quando você atropela um motoqueiro, por descuido seu ou dele, e destrói a moto pode ouvir ”podia ser pior, o motoqueiro está vivo e nem se machucou”.

Mas há também as comparações, essas verídicas nos consolam mais. Muito comum nos casos de doenças, quando falamos que um familiar adoeceu, se sentiu mal, foi hospitalizado mas está se recuperando, podemos ouvir “podia ser pior, conheço um vizinho que teve a mesma doença e morreu logo depois.” Ou um amigo que teve câncer e conseguiu vencer depois de muita luta com quimioterapia e radioterapia e apesar de muito fraco, segue a vida, com certeza ouviremos outra história de alguém que teve o mesmo câncer e não conseguiu vencê-lo. Dessa forma ficamos mais calmos e aceitamos nossa situação em comparação com as desgraças piores que as nossas.

Essas comparações são importantes no primeiro momento para nos consolar. Mas todos os problemas, doenças, sofrimentos possuem um significado oculto. Todos possuem valiosos ensinamentos, mensagens para nossa evolução. Se conseguirmos ultrapassar a dor, a raiva e a autopiedade que no primeiro momento tomam conta de nós e enxergarmos o problema com distanciamento, talvez consigamos descobrir o significado dele. Na natureza nada é por acaso.

Parar, relaxar e perguntar intimamente “o que será que isso quer dizer?” “O que posso aprender com isso?” As respostas estão dentro de nós, não precisamos perguntar para mais ninguém, apesar de muitas vezes nossos amigos e familiares nos darem pistas do que precisamos melhorar. As doenças, por exemplo, geralmente são alertas, avisos de que algo está errado em nosso caminho. Que estamos nos desviando de nosso propósito e assim enfraquecendo nosso corpo e nossa alma.

Aproveitemos ao máximo nossos problemas, são eles que realmente nos farão crescer, evoluir em todos os sentidos, tanto em termos emocionais, espirituais e profissionais. A raiva, o ódio e a autopiedade não levam a lugar algum, pelo contrário, apenas pioram a situação, não permitindo um raciocínio claro. Na maioria das vezes, somos nós mesmos que causamos as dores e as infelicidades.

Nossa vida é uma eterna aprendizagem, nada é por acaso. Saibamos aprender com os erros e com os problemas.

O mar estava bonito, no horizonte ondas estouravam em cadência quase perfeitas. Já havia uma galera, alguns manobrando com maestria aquelas paredes que da praia pareciam pequenas. Resolvi surfar depois de quatro meses me recuperando de uma contusão no cotovelo, que tinha o apavorante nome de epicondilite.

Entrei animado apesar da água gelada. Para chegar no outside havia um longo caminho a ser percorrido. As ondas estavam fortes e constantes e apesar das remadas incessantes a espuma fazia retroceder em direção à areia. Os outros surfistas que entraram comigo foram se distanciando e me deixando para trás. Aos poucos o entusiasmo passava e dava lugar a um sentimento de fracasso. Por mais que eu remasse, não conseguia avançar, pior apenas retrocedia. Finalmente desisti e sai com muita raiva, como não tinha ninguém para colocar a culpa, sentia raiva de tudo. Sai chutando a água, mordendo a prancha.

Isso me fez pensar se não é assim que agimos muitas vezes com nossa vida e com o nosso trabalho. Quando vislumbramos algo que queremos fazer profissionalmente, uma posição que queremos alcançar, um estilo de vida que queremos ter; será que nos preparamos para isso? Ou simplesmente nos jogamos na água atrás das ondas perfeitas, sem preparo, sem planejamento ou observação da situação?

Na minha tentativa de surfar percebi claramente que não estava preparado, não era culpa de ninguém. Era apenas uma falta de visão impulsionado por um entusiasmo cego. O entusiasmo é essencial, é a força da ação, mas o que adianta uma ação burra? Se meu objetivo era pegar aquelas ondas eu teria que ter um plano para me preparar, um planejamento de condicionamento físico e porque não psicológico também. Assim deve ser em nossa vida, em nosso trabalho. Se quisermos chegar em algum lugar devemos nos preparamos. Primeiro visualizar o tipo de tipo de vida, o trabalho que queremos e depois planejá-lo para alcançar.

Importante lembrar que mesmo com toda a preparação, no meio do caminho haverá inúmeros percalços, ondas fortes que o farão retroceder. Mas esteja certo que sem o preparo seria bem pior.

Mas isso não quer dizer que não vale a pena as tentativas sem o devido preparo. Pelo contrário, as tentativas fracassadas são fundamentais para termos a consciência que não estamos preparados suficientes e que temos que nos melhorar.

Além disso, depois que passa a raiva de não conseguir, depois que tentamos culpar os outros, quando o problema está unicamente em nós, depois disso, há uma satisfação interna, por termos tentado. Quando cheguei em casa depois da tentativa frustrada do surf já estava bem, um cansaço gostoso me invadiu o corpo e a esperança de conseguir surfar aquelas ondas depois de um bom treinamento tomou conta de mim. Agora eu tinha um objetivo claro e sabia como alcança-lo.

 

Algumas vezes nossa vida parece um dia cinzento, cheio de nuvens no céu com uma garoa fina e neblina. Um dia melancólico, nada inspirador. Sentimos um vazio dentro de nós e num instante depois, mergulhamos em uma depressão que nem sabemos o porquê. Mas se podermos ter uma certeza, essa certeza é que tudo tem uma causa, um início. E qual será o início das depressões, das dores?

Uma grande parte deles pela escolha de valores nada edificantes, valores que a sociedade consumista tenta passar e que estão longe daqueles que realmente valem a pena cultivar. O que vemos hoje é uma sociedade doente que prestigia valores egoístas como a fama, a riqueza, o poder. Valores esses que muitas vezes aprendemos desde pequeno com nossos pais e que os meios de comunicação, escola e sociedade em geral reforçam dia-a-dia.

E quanto pagamos de nossa vida, de nossa saúde para alcançar esses valores? Quanto tempo e energia vital são desperdiçados nessa busca por riqueza, fama e sucesso? Ao longo do caminho na busca por esses valores materialistas e egoístas, quantas vezes temos que passar por cima de outras pessoas? Quantas vezes temos que realizar coisas que nossa consciência sabe estar erradas? Esse é o início do vazio, dos dias cinzentos.

E não adianta ter todo o dinheiro do mundo, ser rico, virar personalidade e ser famoso; felicidade e contentamento não se compram. Não adianta ter todo o poder do mundo, ser reconhecido por seu intelecto, por suas conquistas materiais; a paz interior e o amor não provêm daí. Não adianta ser famoso para não se sentir solitário, aliás, a maioria dos famosos são solitários apesar de estarem cercados de gente.

Todos esses valores que aprendemos a buscar são vazios e egoístas e não trazem felicidade. As melhores coisas da vida são gratuitas, não se compram. O amor de um filho, a amizade da esposa, o sono tranquilo, a saúde do corpo e da mente, o canto dos pássaros, um banho de mar, um dia de sol.

Quando começarmos a trocar esses valores egoístas por valores solidários, valores que tem como objetivo o bem, o amor e a evolução espiritual, vemos desaparecer em nossa vida a solidão, a depressão e os dias cinzentos de chuva e neblina. O sol começará a aparecer aos poucos, entre as nuvens e logo o céu azul tomará conta do horizonte. Assim são as mudanças de valores, aos poucos tomamos consciência, no dia-a-dia com as pessoas mais próximas colocamos em prática.